Vou deixar um textinho aqui de um caso , pense bem e me diga o que você faria , a próximo post eu vós falo que ter ética é quase impossível , quando se fala de algo para nós! Beijos aí vai o caso:
-CONSCIÊNCIA OU VANTAGEM COMPETITIVA?
O avião pousou no aeroporto de Bombay dentro do horário. Olívia Jones passou pela conhecida burocracia da imigração sem incidentes e finalmente foi conduzida à limusine que a aguardava, com seu motorista uniformizado e seus assentos de couro preto. A ansiedade que a dominava nesta primeira estadia na Índia aumentava. Enquanto percorria as escuras ruas da cidade, perguntou ao motorista por que tantos automóveis estavam com os faróis apagados à noite. Ele respondeu que a maioria dos motoristas acreditava que os faróis acesos aumentam o consumo de gasolina! Finalmente, chegou ao hotel, um monólito de mármore negro, grandioso e decadente em seu esplendor, sobressaindo sobre a baía.
O objetivo de sua estadia de quatro dias era selecionar amostras de tecido de algodão das tecelagens locais para serem utilizadas na confecção da coleção jovem de camisas, calças e roupa íntima. Ela foi tratada com toda a deferência pelos seus anfitriões, que eram, invariavelmente, donos de tecelagens indianos ou agentes britânicos de tecelagens indianas. Durante três dias foi conduzida de um escritório refrigerado para outro onde, entre goles de chá ou limonada gelados, examinava os catálogos de amostras nos quais se encontravam todos os tipos de listas e estampas imagináveis. No quarto dia, Jones fez um pedido que sabia iria causar alguma ansiedade a seus anfitriões.
“Gostaria de visitar uma fábrica”, declarou.
Depois de muitas consultas e várias tentativas de dissuasão, ela foi novamente conduzida em uma limusine a uma área da cidade que não visitara anteriormente. Gradualmente, o hotel e as lojas de tipo ocidental foram sumindo da paisagem e Olívia foi se embrenhando em áreas pobres da cidade. Em volta se espalhavam conjuntos de barracos, construídos com folhas de zinco e painéis de cartão. A poeira voava em espirais por todos os cantos ao longo das ruas sem calçamento e dos esgotos a céu aberto. O carro se arrastava pelas ruas de terra batida atrás de carroças puxadas por homens ou animais, carregadas de palha ou rejeitos urbanos — o tesouro da periferia. Mais de uma vez a limusine teve de parar enquanto um pesado touro branco atravessava a rua.
Finalmente, no coração do gueto, o carro parou. “A senhora tem certeza de que quer ver isto?”, perguntou seu guia. Determinada a ser corajosa, Olívia saltou do carro.
Branca, olhos azuis e loura, vestindo um tailleur, sapatos de salto e carregando uma pasta, Olívia não tinha como não se destacar. Não surpreende que os moradores da área a considerassem uma figura interessante e engraçada enquanto percorria a rua poeirenta e pulava as poças.
Seu anfitrião ia à sua frente, por entre os barracos, com suas portas abertas e seus interiores escuros.
Algumas das construções, segundo informaram, eram restaurantes onde na hora do almoço as pessoas se reuniam sentadas em esteiras e comiam arroz. Na porta de um dos barracos, uma mesa funcionava como balcão onde eram expostas velhas latas de feijão, sardinhas e uma substância de um verde fluorescente que poderia ser ervilha. Os olhos do jovem que estava atrás do balcão sorriam orgulhosos quando ela se inclinou para examinar a mercadoria.
Quando virou na esquina seguinte, viu um velho no meio da rua embrulhado num pano e sentado numa grande tina. Na mão segurava uma lata com a qual despejava água sobre a cabeça e os ombros. Duas menininhas, ao lado, vestiam roupas de náilon branco, enfeitadas com fitas e rendas. Elas faziam pose para ela, sorridentes, felizes em serem fotografadas. Os homens e mulheres à sua volta se movimentavam com muita graça e dignidade, pensou Olívia.
Finalmente, seu anfitrião a conduziu por uma precária escada até um sobrado. Lá em cima Olívia tinha de ficar curvada, pois o pé direito era muito baixo. Em uma sala de menos de 72 metros quadrados, 20 homens estavam sentados à frente de máquinas de costura, curvados sobre peças de pano branco. Entre eles, no chão, homens dormiam em esteiras esperando o início do próximo turno. Olívia soube então que esses homens trabalhavam em turnos de 12 horas, durante seis meses por ano. Nos outros seis meses eles voltavam para a casa de suas famílias, no campo, onde cultivavam lavouras e sobreviviam com o dinheiro ganho na cidade. As camisas que estavam confeccionando se destinavam a atender um pedido feito quatro semanas antes, em Londres, e do qual ela se orgulhara pois tinha conseguido negociar um preço bastante baixo. Ao olhar a cena, ela sentiu que se tratava da experiência mais constrangedora de sua vida. Quando questionou seu anfitrião a respeito dessas condições, foi informada de que eram típicas do ramo e da maioria do terceiro mundo.
Finalmente, ela saiu do calor, da poeira e do ruído da fábrica de camisas, voltando para o mundo protegido, agradável da limusine.
“O que vivenciei hoje e o papel que desempenhei na criação desse inferno ficará comigo para sempre”, pensou. Mais tarde ela se perguntou se o que tinha presenciado seria a conseqüência inevitável de políticas de formação de preços que permitiam que o consumidor britânico comprasse camisas por 12,99 libras esterlinas em vez de 13,99 libras e ao mesmo tempo possibilitava que a empresa mantivesse sua margem de lucro obrigatória de 56%. Seriam suas habilidades de negociação - resultado de muitos anos de treinamento - causa indireta das terríveis condições que presenciou?
Ao voltar para a Inglaterra, Olívia pensou em seu cargo e nas opções que se lhe apresentavam como compradora de uma grande cadeia varejista de capital aberto em ambiente altamente competitivo. Seu dilema era: um funcionário ambicioso pode permitir-se exercer sua consciência social no trabalho? E uma pessoa pode realmente fazer diferença sem colocar em jogo o futuro de sua carreira?
- Dai Lima
- "Não importa quem somos tudo acaba até um certo ponto que não existirá mais nada.Se você não lembra do que viveu, você nada viveu.Somos experiência de sentidos,interagimos com iguais e desiguais.Somos os fragmentos soltos desse todo.Somos de curta duração e seremos substituidos... tímidos,ousados, valentões e covardes , todos iluididos a umaoriginalidade.Nem ao menos somos o que representamos, mergulhamos na nossa própria arrogância de ser!Evoluimos em existência , em indivíduos estamos presos em uma tola vaidade e egoísmo.Os bons são encompreendidos pelos tolos." Texto de Jimii com adaptações de Dai Lima.

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